
Tonturas ou vertigens em crises associadas à sensação de pressão no(s) ouvido(s), zumbido e perda de audição.
História
A doença de Ménière ou hidropsia endolinfática (nome técnico ou científico) foi inicialmente descrita por Prosper Ménière em 1861 e em sua homenagem foi então denominada. À época pensava-se que a doença era originária do sistema nervoso central, sendo chamada de "congestão cerebral apopletiforme", resultante de uma excessiva quantidade de sangue no cérebro. Para o tratamento empregavam-se sangrias, tanto através de cortes ou punções nas veias quanto pelo uso de sanguessugas.
Ménière havia sugerido, já na sua primeira descrição, que a doença era oriunda dos canais semicirculares do labirinto, situado no ouvido interno. O meio médico da época não aceitou sua hipótese, que somente foi comprovada por Charles Hallpike em 1938, através de análise de ossos temporais, mais de 70 anos depois de debates científicos acalorados.
Definição
Doença do ouvido interno, de origem desconhecida na maioria das pessoas, é causada por aumento de pressão da endolinfa, o fluido biológico que preenche os canais semicirculares (labirinto). Na crise os seguintes sintomas estão presentes: vertigens, zumbidos e hipoacusia. Muitas pessoas se queixam de uma sensação de pressão ou plenitude no ouvido afetado. A doença de Ménière raramente é bilateral (afeta os dois ouvidos em apenas 10% a 15% dos casos).
Vertigem
Sensação de rotação, tanto do corpo quanto do ambiente
Zumbido
Ruído(s) no(s) ouvido(s), geralmente de tom agudo, não audíveis por outras pessoas
Hipoacusia
Perda auditiva flutuante, ou seja, a audição piora nas crises e se recupera parcialmente ao seu final.
Ao longo do tempo, e após sucessivas crises, a tendência é que audição fique seriamente comprometida.
Nas crises ainda é comum que aconteçam náuseas ou vômitos, dor de cabeça, diminuição de memória, da capacidade de concentração e discretas confusões mentais. Algumas pessoas tem ataques de pânico enquanto outras tem sensação de fadiga crônica.
Uma crise pode durar desde poucos minutos ou até permanecer por vários dias. "Stress" emocional pode ajudar a desencadear crises ou torná-las mais severas.
Aproximadamente 3% dos portadores de doença de Ménière são crianças, embora a maioria dos pacientes estejam entre a quarta e a quinta décadas de vida. Mulheres são mais afetadas que homens.

Diagnóstico
Uma história clínica estruturada e detalhada é a melhor maneira de se encontrar a causa da vertigem.
Vários exames subsidiários podem ser solicitados no intuito do esclarecimento diagnóstico: audiometria, impedanciometria, BERA (audiometria de tronco cerebral), eletronistagmografia, eletrococleografia, otoemissões acústicas evocadas, eletroposturografia e VORTEQ.
Estes exames são de responsabilidade do otorrinolaringologista que está atendendo ao paciente.
Tratamento
Para a grande maioria dos pacientes o tratamento é clínico, com uso de medicamentos, apenas durante as crises.
Orientação sobre como levar uma vida mais saudável, com menos tensão emocional, costuma dar excelentes resultados. Fisioterapia de reabilitação labiríntica ajuda em muitos casos.
Pode-se optar também pela
solução cirúrgica (a cirurgia é denominada de descompressão de saco
endolinfático), que é um procedimento reservado para os casos refratários aos
tratamentos clínicos, em pacientes com grande perda de qualidade de vida, com
vertigens incapacitantes.