
Perda auditiva lentamente progressiva, geralmente de origem familiar, que afeta freqüentemente ambos ouvidos; costuma ocorrer mais as mulheres do que os homens e pode piorar na gravidez.
Som e Audição
Audição é o sentido pelo qual o organismo percebe ondas mecânicas produzidas por vibração de um corpo propagando-se através de moléculas de ar, ou seja, som.
As ondas sonoras entram no ouvido pelo pavilhão auricular e caminham através do conduto auditivo externo até atingir e movimentar a membrana timpânica, que transfere esse movimento aos ossículos do ouvido médio: martelo, bigorna e estribo. O deslocamento do estribo, que fica encravado na janela oval da cóclea, movimenta os fluidos do ouvido interno, estimulando suas células sensitivas e excitando o nervo auditivo que carrega o estímulo sonoro até o cérebro.

Definição
Otosclerose, também denominada de otospongiose, é uma doença metabólica microscópica exclusiva dos ossos temporais, localizados nas partes laterais do crânio, onde os ouvidos estão inseridos.
Caracteriza-se por um crescimento ósseo anormal das paredes do ouvido interno. Pode causar fixação do menor osso do corpo humano - o estribo - e, neste caso, transmitir com menor intensidade as ondas sonoras até o ouvido interno, causando diminuição de sensação auditiva.
De caráter genético, é causada por um gene autossômico dominante cuja expressividade é de aproximadamente 40%, isto é, apenas 40% das pessoas portadoras sofrerão a doença.
Afeta mais mulheres na proporção de 2:1 em relação aos homens. Inicia geralmente entre 20 e 30 anos de idade e costuma piorar na gravidez. Na maioria dos casos, em torno de 70%, afeta só um ouvido e é rara na raça negra. Alguns casos são acompanhados de zumbido.
A perda auditiva é progressiva, piorando com o passar do tempo. Nas faixas etárias acima dos 50 anos pode piorar muito e chegar à surdez.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela história clínica e por exames, audiometria e impedanciometria principalmente. O exame físico é normal, ou seja, não se notam quaisquer alterações visíveis no paciente.
Algumas vezes se necessita de exames radiográficos, normalmente tomografia computadorizada.
Tratamento
De modo frequente é possível se resolver o problema por cirurgia, denominada de estapedectomia. Neste caso o estribo é substituído por uma prótese, que pode ser confeccionada de ouro, platina ou material plástico. Trata-se de uma micro-cirurgia delicada, porém relativamente simples de ser executada por cirurgiões treinados e que apresenta bons resultados na maioria das vezes.
Alguns pacientes podem se beneficiar de terapia feita com um composto de flúor por via oral.
Otosclerose coclear
Em alguns pacientes, as alterações típicas da doença podem se espalhar por todo o osso temporal e atingir a cóclea, afetando as células ciliadas (as células que transformam a energia mecânica do som em energia elétrica que será transmitida para o cérebro) e causar perda auditiva permanente, que não pode ser resolvida com cirurgia.